(Adelino Costa / Camilo Costa)

Não é seu este lugar,
esta vida não é sua.
Nao tem sonho pra sonhar
nem som de carro na rua.
Roupa limpa no varal
pra secar a luz da lua.
Dorme o canto do pardal
as vezes no quintal
é só vento que flutua!

Toda vez que venta assim
vejo o dia amanhecer.
O orvalho vai sumindo
o sol vai subindo até o entardecer.
Vidas tão cheias de luz
merecem mesmo é crescer em paz
Corpos se entrelaçando nus
pra alma esquentar
e não parar nunca mais.
E não pára nunca mais!

Não tem mais cabo pra enxada aquela mata se foi
Cana verde está fincada no pasto daquele boi
Nesse clima de mudanças mudo eu que não sou bobo
Sou caipira da cidade
a selva selvagem,
Mas prefiro ser caboclo!